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sábado, 22 de agosto de 2009

"Esquerda do bar" não liga pra erradicação da fome mas adora uma boquinha na mídia golpista...

Dado os recentes e repetitivos episódios envolvendo personalidades que se dizem "de esquerda", que insistem em dizer que o governo Lula teria semelhanças com o de FHC, ou que Serra e Dilma "são iguais", fiz uma série de postagens no Twitter sobre o tema, as quais vou organizá-las aqui.

Pra começar, qualquer governo no Brasil, mesmo nas ditaduras, dependem de apoio do Congresso para funcionar (exceto que o feche, será que eles acham isso bom?). Cada governo que se sustentou (e não foram muitos, vários governos foram interrompidos nesses 120 anos) fazia seu jeito, pois quase sempre a maioria era instável.

Esse sistema funciona aqui e em todo país democrático. Em regimes parlamentaristas, se ocorre uma mudança de forças no Congresso, o primeiro ministro cai e muda tudo. Além de mais distante do povo, o regime parlamentarista no Brasil já foi reprovado mais de uma vez em plebiscitos (1963 e 1993) e realmente seria muito instável, e provavelmente muito mais à direita do que podemos ter com a figura de um presidente.

Em países presidencialistas, como o Brasil, o presidente precisa costurar alianças que garantam a maioria no Congresso, por onde passam as leis, aprova-se o orçamento, além de inúmeras indicações importantes. Não ter o Congresso com o governo o inviabiliza e muitas vezes acaba caindo, como ocorreu com Jânio, Collor e o suicídio de Vargas.

Cada governo adotou uma tática para conquistar isso. Os militares, por exemplo, criaram senadores biônicos, nomeados sem o voto de ninguém, para garantir maioria. FHC comprava votos para aprovar emendas como a da reeleição, mesmo sendo um governo que possuía maioria e "passava o trator" aprovando toda sorte de bizarrices lesa-pátria que acometeram o Brasil nos anos 90.

O governo atual, eleito por duas vezes com forte apelo popular mas sem a base necessária para governar sem a necessidade de uma ampliação de forças, necessitava agregar grupos de centro para conseguir levar adiante seu projeto apresentado em campanha.

Além do Congresso ser muito mais "direitista" que "esquerdista", algumas das forças que poderiam estar junto com o governo, como o PSOL, por exemplo, preferem se juntar aos demos e tucanos na oposição, que também agrega o PPS - uma farsa criada por Roberto Freire, e algumas figuras isoladas do PMDB e do PV (Gabeira, o neo-tucano). Essa é a nova UDN, conforme o Rodrigo Vianna define muito bem.

O fato é que por conta do governo não ter pra si essas lideranças, que podiam sim contribuir em pontos do projeto governista, que funciona com inúmeros vetores alguns deles bastante antagônicos inclusive, como meio-ambiente e agronegócio, acaba tendo que atrair para si parte das oligarquias do passado, figuras que não deveriam mais fazer parte da política. Mas fazem, foram eleitas e se fora do governo, impediriam qualquer avanço.

E os métodos de participação dessas oligarquias são bastante rígidos, o governo implantou no executivo um regime de transparência exemplar e estão sujeitos tanto quanto os demais ministérios e autarquias, o modelo de gestão é muito severo. Além disso, como ficou provado ao longo desse tempo, a oposição ferrenha que a grande mídia exerce - maior por vezes até que os políticos opositores - exerce um poder extra de fiscalização que permitiu uma verdadeira "limpa" no governo, que redobra sua atenção com corrupção, e prova disso que escândalos no executivo não estão ocorrendo mais, quando ocorrem são em valores completamente irrisórios (vide o escândalo da tapioca).

Pois bem, se eu, você, todos nós sabemos que o governo tem um congresso aí dessa maneira e precisa governar assim, se há problemas no Brasil como desigualdade social, pobreza, insegurança alimentar, analfabetismo, exclusão social, que há necessidade de urgência para resolvê-los, de que lado alguém que se diz "de esquerda" deveria estar, em um governo que claramente se propõe a resolver tais problemas - e todos eles estão sendo atacados intensivamente, com resultados exemplares a nível mundial.

Ao invés disso, confortavelmente, opõem-se alegando "não se juntar" com tais oligarquias que representam minoria no âmbito do governo - e ressalto, caso todas as forças de esquerda estivessem com o governo, seriam ainda menores - e o pior, adoram aparecer na mídia golpista utilizando-se de expressões que sabem que irão causar impacto, afirmando que "é tudo igual", "prefiro os tucanos, eles sabem roubar melhor" e coisas do gênero que podemos observar, numa mistura sombria de egoísmo, desdém, dor-de-cotovelo, entre outras coisas ruins que você possa imaginar.

Excluo desse grupo, até o momento, a senadora Marina Silva, que reconhece claramente os avanços do governo Lula, e certamente continuará, mesmo fora do PT, a votar com o governo em questões essenciais. Acho em parte egoísmo da parte dela buscar um projeto pessoal de poder, claramente pessoal pois pra onde pretende ir e com uma proposta "de uma nota só" não há como se governar lugar nenhum, muito menos o Brasil. Como senadora, é o lugar perfeito para políticos com essa temática, da mesma forma que Cristóvam Buarque.

Porém os mais raivosos insistem em dizer que "nada mudou", contrariando todos os dados existentes, reconhecimento mundial da nova presença do Brasil, e num momento crucial para nosso desenvolvimento, em que discutimos como utilizaremos os recursos do pré-sal, esta gente vem dizer que tucanos são iguais? Os tucanos querem dar o pré-sal pros estrangeiros, de graça, como deram a Vale!!!! E estagnar o Brasil de novo, como fizeram pelos longos e inúteis anos que estiveram no poder, só servindo para destruir o estado brasileiro.

Afirmar isso para ganhar espaço na mídia golpista é tão baixo ou pior ainda que o golpismo tucano. Pois querer se vender como "purista", como "a frente do tempo" fazendo o jogo sujo da oposição e de quem odeia o Brasil é de uma maldade infinita. Não calculam o prejuízo que podem causar ao futuro do Brasil fazendo uma irresponsabilidade dessas.

E o pior é que tem gente boba que ainda dá trela pra esse tipo de "esquerda", egoísta que só, que nunca procurou entender as razões e as saídas para a exclusão social, o tamanho dos problemas do Brasil e a dificuldade de se implantar projetos de dimensão nacional num país que mais parece um continente, que temos milhões de km² de pobreza, que nem luz elétrica existia.

O curioso é perceber que o governo deixou o povo por 500 anos à margem do processo de decisão, e quando temos ele na mão e estamos tendo frutos, vem certos "sabichões" afirmar que "nada mudou". O que é mudança pra eles então?

Se temos um Congresso que não é o ideal, mas o governo é de esquerda, o problema não é do governo de esquerda. O problema está no Congresso, e teremos a chance de mudá-lo em 2010.

Achar que o governo está errado de aceitar as regras como elas foram colocadas, numa Constituição que foi aprovada com participação de todas as forças políticas do país, é defender o autoritarismo e uma gestão rolo-compressor, que de nada tem de esquerda.

Retrocesso seria se, além do Congresso, voltarmos a ter na liderança do país alguém da direita, a serviço do capital internacional, do entreguismo, do atraso do Brasil. E justo nesse momento que dobramos a esquina, tiramos um bilhete premiado, jazidas trilionárias de petróleo que podem garantir nosso ingresso nos países ricos, ou, caso os tucanos voltem, nos eternizar como colônias dos americanos.

As forças de esquerda desse país precisam defender um Congresso comprometido de verdade com um governo que garanta o Brasil desenvolvido e justo. Só há um grupo disposto a fazer isso, o PT e seus aliados de esquerda. São esses grupos que precisam ter uma grande votação em 2010 para serem maioria no Congresso e Dilma poder governar melhor ainda do que Lula está fazendo.

Não há como ter um governo realmente popular sem a democracia, a liberdade.E a democracia necessariamente leva a uma conjunção de forças no poder

Perde completamente o respeito de quem gosta do Brasil, é o cúmulo do extremo do "é do meu jeito,ou todo mundo pode morrer de fome". O governo Lula erradicou a fome, avançou em questões sociais, incluiu e
é o governo mais popular do mundo atualmente. Ser "tudo igual" é bizarro.

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